quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

Índios Tembé exigem providências emergenciais do governo do Pará


Indígenas e representantes do governo se reuniram na última terça-feira, 11. Nova reunião deve acontecer ainda em dezembro, em Paragominas, PA.


Do G1 PA


Cacique Valdeci Tembé relatou à Segup que precisou se afastar da área de conflito para resguardar sua própria segurança. (Foto: Carlos Sodré/Agência Pará)Cacique Valdeci Tembé relatou à Segup que precisou se afastar da área de conflito para resguardar sua própria segurança. (Foto: Carlos Sodré/Agência Pará)
Um grupo de 33 índios da etnia Tembé esteve na sede da Secretaria de Estado de Segurança Pública e Defesa Social (Segup), em Belém, na noite da última terça-feira (11), para uma reunião com o titular da secretaria, Luiz Fernandes Rocha. Eles vieram do município de Paragominas, no sudeste paraense, pedir o apoio e providências do governo do Estado sobre o conflito ocorrido na reserva Alto Rio Guamá, que fica próxima à Nova Esperança do Piriá, região nordeste, no dia 2 de dezembro deste ano, envolvendo indígenas, madeireiros da região e fiscais do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais renováveis (Ibama).
“Estamos pedindo o apoio da Segup e do governo do Pará à nossa luta contra a retirada ilegal de madeira no nosso território. A nossa batalha pela terra significa a luta pela própria vida. A situação é preocupante. Não podemos permitir que as lideranças indígenas sejam constantemente ameaçadas de morte. Nós sabemos quem são as pessoas que comandaram a emboscada contra o nosso povo”, relatou o cacique Valdeci Tembé. Ele reforçou o pedido de ajuda ao governo estadual e ressaltou que precisou se afastar da área de conflito nas terras indígenas para resguardar a sua segurança pessoal.
Reunião: O secretário Luiz Fernandes Rocha falou sobre a importância de uma ação integrada do Sistema de Segurança Pública e Defesa Social e demais instituições do sistema de Justiça nos municípios onde há aldeias da etnia Tembé. “Este é um trabalho de todos nós, dos governos federal, estadual e municipal. Não podemos separar as responsabilidades que competem às diferentes esferas do Poder Público. Neste sentido, é fundamental a soma de esforços. Precisamos fazer um levantamento completo da situação nas áreas de conflito e agir sem precipitação. Operações desta natureza exigem um planejamento minucioso”, frisou.
Índios e representantes do governo terão nova reunião no dia 17 de dezembro, em Paragominas, PA. (Foto: Carlos Sodré/ Agência Pará)Índios e representantes do governo terão nova reunião no dia 17 de dezembro, em Paragominas, PA. (Foto: Carlos Sodré/ Agência Pará)
Luiz Fernandes Rocha sugeriu ao grupo de indígenas uma reunião com a participação de todas as lideranças indígenas e representantes dos órgãos envolvidos nas questões relacionadas aos conflitos no território dos Tembé: Segup, Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), Procuradoria da República, polícias Federal, Rodoviária Federal, Civil e Militar, Ibama, Instituto de Terras do Pará (Iterpa), Fundação Nacional do Índio (Funai) e Secretaria Especial de Saúde Indígena (Sesai).
Em princípio, a reunião será realizada no dia 17 de dezembro, no município de Paragominas. Durante o encontro, o grupo de indígenas e autoridades vai discutir as ações de prevenção e repressão policial de combate à extração ilegal de madeira nas florestas localizadas nas áreas dos Tembé, que somam cerca de 290 mil hectares de terras localizadas nos municípios de Paragominas, Nova Esperança do Piriá, Capitão Poço, Santa Luzia do Pará e Garrafão do Norte.
Preservação
O índio Sérgio Muxi Tembé também se manifestou durante a reunião com autoridades da área de segurança pública. “A nossa luta pela terra não vai parar porque nós queremos garantir a preservação do território dos povos indígenas. O governo federal não tem nos dado a ajuda necessária e o apoio que lhe compete. Estamos lutando pelos nossos direitos e ainda assim somos ameaçados de morte. Por isso, estamos muito tristes”, disse o representante dos Tembé.

“A floresta é o nosso pai e a nossa mãe. Acabar com ela significa acabar com o nosso peixe, com a nossa caça, nossos remédios. Sem a nossa terra, não seremos mais índios, não poderemos mais realizar nossos rituais, não poderemos mais transmitir a nossa cultura para nossos filhos e netos, como recebemos de nossos antepassados. Nós não temos como sobreviver no meio social urbano, por isso é importante preservar. Esta é uma causa muito séria, porque não temos condições de enfrentar os madeireiros”, afirmou a índia Val Santa Tembé
.

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