quarta-feira, 31 de maio de 2017

EXCLUSIVO: TRÊS DE DEZ MORTOS EM PAU D'ARCO ERAM ACUSADOS DE MATAR FAZENDEIRA, EM 2003


"Tonho, ou Toin", morto dia 23, era acusado de matar fazendeira e iria a juri

Carlos Mendes 


Três dos dez mortos na fazenda Santa Lúcia, em Pau D'Arco, sudeste do Pará, na última terça-feira, já respondiam a processo pela morte de uma fazendeira e de seu empregado, sendo que dois foram pronunciados pelo juiz Edivaldo Saldanha Sousa, da comarca de Rio Maria, e iriam a júri popular, faltando apenas marcar a data do julgamento. Eles, segundo a denúncia do Ministério Público, teriam recebido R$ 70 mil e uma caminhonete como pagamento pela morte da fazendeira.

Ela morreu quando estava na garupa de uma motocicleta, numa estrada dentro da fazenda, em companhia do empregado, Hélio Quirino dos Santos, também atingido com vários tiros. Quem pagou a recompensa pela morte foi o ex-marido da fazendeira, de quem ela se separou devido aos constantes maus tratos e espancamentos que sofria. Ele queria parte da propriedade, mas a dona ganhou a questão na Justiça.

Ver-o-Fato teve acesso ao processo que envolve a morte a tiros, em 2003, da fazendeira Iraildes de Souza Maciel, proprietária da fazenda "Irmãos Maciel", localizada no município de Bannac, a 117 km de Redenção. Nesse processo aparecem como réus Antônio Pereira Milhomem, o “Tonho, ou Toin”, 50 anos, o irmão dele, Ronaldo Pereira de Souza, o “Lico”, 40, e Wclebson Pereira Milhomem, o “Kleber”, sobrinho de ambos.

Os irmãos Milhomem eram conhecidos na região como líderes do grupo armado que promoveu três invasões na fazenda Santa Lúcia, na última, em abril passado, com destruição de casas e incêndio com bombas do tipo “coquetel molotov”. Eles tinham mandado de prisão pela morte do segurança Marcos Montenegro, ferimento em outro segurança, e um atentado a bala contra um dos proprietários da fazenda, Honorato Babinski.

“Tonho, ou Toin” é o homem que aparece em um vídeo empunhando uma pistola Glog, apreendida pelos policiais após o confronto que resultou nas dez mortes.


Invasão e cárcere 


No caso da morte da fazendeira, Iraildes Maciel compareceu diversas vezes à delegacia de Redenção para denunciar as ameaças e abusos que sofria nas mãos do bando armado, mas nenhuma providência foi tomada pelas autoridades. O assassinato, durante emboscada, ocorreu no dia 28 de junho de 2003.

Em setembro de 2002, ela fez a primeira visita à polícia, pedindo socorro. Relatou que dois homens numa motocicleta haviam entrado em sua propriedade disparando tiros contra a casa. Em 22 de fevereiro, Iraildes registrou uma segunda ocorrência, depois que seu ex-marido, que já havia lhe atacado numa ocasião anterior, invadiu sua casa.

Em 26 de maio daquele ano, mais uma vez retornou à delegacia para relatar que seis homens armados invadiram sua propriedade em 23 de maio, mantendo em cárcere privado seu filho, sua nora e seu neto, sob a mira de armas, por duas horas, e depois os obrigando a retirar-se da fazenda.

Apenas após a morte dela é que as autoridades passaram a investigar quem eram os pistoleiros que ameaçaram e mataram Iraildes. A polícia indiciou nove pessoas, todas presas preventivamente, mas depois soltas. Incluindo dois que morreram na terça-feira, 23, já pronunciados que iriam ser julgados pelo júri.

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