quarta-feira, 31 de maio de 2017

GENERAL AFASTA 29 POLICIAIS ENVOLVIDOS EM MORTES NA FAZENDA SANTA LÚCIA

Os mortos foram sepultados esta manhã em Redenção e Pau D'Arco
Objetos e utensílios dos invasores foram abandonados na fazenda

Por Carlos Mendes
O secretário de segurança do Pará, o general aposentado Jeannot Jansen, determinou ontem o afastamento dos 29 policiais – 21 militares e 8 civis – envolvidos no confronto que resultou na morte de dez invasores dentro da fazenda Santa Lúcia, a 35 km da cidade de Pau D'Arco, no sudeste do estado. Eles não podem mais participar de qualquer missão policial e devem colaborar com as investigações que estão sendo feitas pela polícia civil para esclarecer os fatos. Dependendo do que for apurado, poderão voltar ao serviço ou ser definitivamente afastados.


Os policiais alegam que cumpriam ordem judicial de prisão e de busca e apreensão de armas contra invasores da fazenda quando foram recebidos a tiros, revirando e dando início a um tiroteio que resultou nas dez mortes. Alguns invasores que estavam na área relataram em depoimento sigiloso ao Ministério Público que os policiais chegaram atirando contra o grupo, matando três das dez vítimas com tiros na cabeça e pelas costas.


Peritos do Instituto Renato Chaves estiveram na fazenda e foram aos locais que eram ocupados pelos invasores. Em um acampamento estavam guardadas cestas básicas, enquanto no outro os invasores se reuniam e dormiam. Neste local foram encontradas cápsulas deflagradas de projéteis calibre 380, que coincidem com o calibre de algumas armas apreendidas pela polícia após o tiroteio.


As marcas de bala na vegetação também indicam que houve ali um tiroteio, o que coincidiria com a alegação policial de que teria havido disparos de armas de fogo pelos invasores. Além de aprofundar a perícia na área do confronto e nos acampamentos, os técnicos vão vistoriar duas motocicletas que estavam escondidas num matagal próximo da sede da fazenda, totalmente destruída pelos invasores.


Críticas - A Ordem dos Advogados do Pará acusa os policiais terem mexido no local do confronto, retirando os corpos antes da chegada dos peritos, o que prejudica as investigações. O promotor militar Armando Brasil também criticou a atitude dos policiais. “Não podiam ter feito isso, deveriam ter esperado a perícia fazer seu trabalho, com as vítimas no local, para só depois haver a remoção”, disse Brasil em entrevista ao Estado.


Quando o inquérito civil for concluído, dentro de no máximo 45 dias, toda a parte que envolve a participação de 21 policiais militares nas mortes terá de ir para as mãos de Brasil, que fará uma apuração específica, podendo requerer novas diligências, para finalmente decidir se pedirá o arquivamento à Justiça Militar ou se abrirá processo contra os PMs.


“Não posso aceitar que isso tenha acontecido. A cena dos crimes ficou inidônea, porque provas importantes podem ter desaparecido com a retirada dos corpos”, resumiu o promotor. A polícia civil informou que tudo está sendo apurado, mas disse que não comentaria as acusações da OAB e de Brasil até que tudo fique esclarecido.


Enterro – Familiares das dez vítimas enterram seus mortos na manhã de ontem, sendo oito no cemitério municipal de Redenção e dois na cidade de Pau D'Arco. Integrantes de movimentos sociais, de direitos humanos e sindicatos compareceram e prestaram solidariedade às famílias. Houve protestos pelo fato de o governo ter entregue, em sacos plásticos, os corpos das vítimas em estado de decomposição após as autópsias. 

A Polícia Federal foi acionada para garantir a integridade física de oito pessoas que teriam sobrevivido durante o tiroteio. Mas apenas uma estaria sob proteção da PF. (Carlos Mendes, "O Estado de São Paulo")

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