quarta-feira, 31 de maio de 2017

O QUE HOUVE NA FAZENDA SANTA LÚCIA, CHACINA OU CONFRONTO? INVESTIGAÇÕES ABERTAS

Armas apreendidas, fazenda destruída: tudo sob apuração.
Por Carlos Mendes

Chacina ou confronto? Grupo desarmado contra policiais militares e civis fortemente armados? Grupo estava armado e recebeu polícia a tiros, havendo revide? Onde e de que lado está a verdade? Perguntas que se impõem para respostas que ainda não podem ser oferecidas, até que investigações rigorosas determinem o que de fato ocorreu na manhã de quarta-feira, 24, dentro da fazenda Santa Lúcia, onde dez pessoas - nove homens e uma mulher - foram mortas por agentes públicos.
O blogue Ver-o-Fato entrou em campo, apurando e checando tudo o que cerca o episódio, mas ainda aguarda a manifestação oficial de promotores e procuradores e dos próprios investigadores designados pela Secretaria de Segurança Pública (Segup). Já tivemos acesso exclusivo a vários documentos, inclusive que fazem parte das investigações, vídeos, áudios, fotografias e declarações oficiais, que aos poucos iremos divulgar.
Nosso objetivo é não apenas mostrar as versões dos lados envolvidos no episódio, mas oferecer aos milhares de leitores do Ver-o-Fato o que aconteceu e o que está acontecendo para que cada um tire suas próprias conclusões. Iremos publicar as informações aos poucos, evitando publicar tudo de uma única vez, até porque nossas informações serão atualizadas. Pedimos apenas aos que reproduzirem as informações aqui publicadas que citem a fonte.   

O começo de tudo
 
A fazenda Santa Lúcia, com cerca de 5 mil hectares, está localizada a 35 km da sede do município de Pau D'Arco e a 60 km de Redenção, município vizinho. Ela é legalizada, titulada e com escritura de domínio em cartório, segundo informou ao Ver-o-Fato o superintendente do Incra em Marabá, Asdrúbal Bentes.
Na área havia 3.000 cabeças de gado que foram retiradas pelos proprietários após sucessivas invasões por famílias sem terra que exigiam a desapropriação pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) e transformação do local em assentamento. 

Três invasões, antes apoiadas pela Federação dos Trabalhadores da Agricultura Familiar (Fetraf),  ocorreram na fazenda desde 2015, sempre pelo mesmo grupo. Os proprietários obtiveram decisões judiciais de reintegração de posse. No dia  23 de fevereiro de 2017, o oficial de justiça de prenome Bruno esteve na fazenda, citando todos os invasores a deixarem a fazenda em 24 horas, sob pena de multa. 
Três dias depois, os invasores, armados, retornaram à propriedade. Eles ostentavam armas de fogo e facões e conseguiram expulsar os funcionários da fazenda, ameaçando-os de morte caso retornassem. Também ameaçaram matar o gado, o que obrigou a proprietária a retirá-lo. 

No dia 20 de abril passado, após nova reintegração de posse, a polícia encontrou apenas quatro invasores dentro da fazenda. Eles foram levados até a delegacia de polícia. O resto dos invasores, ao avistar a polícia, fugiu para o assentamento conhecido por  Guarantã, que faz divisa com a fazenda Santa Lúcia. Nesse assentamento, segundo seguranças da fazenda, os vizinhos davam apoio aos invasores da Santa Lúcia, inclusive escondendo armas. 
A pistola de "Tonho"

Um dos homens mortos pelos policiais na quarta-feira, Antonio Pereira Milhomem, o "Tonho", que seria um dos líderes dos invasores, no dia 22 de abril foi visto armado e filmado, empunhando uma pistola Glog, que exibia enquanto proferia ameaças contra funcionários e seguranças da fazenda. 
O vídeo (acima), gravado por um segurança, será anexado ao inquérito policial que investiga as 10 mortes. A pistola foi uma das armas apreendidas pela polícia após as mortes dos integrantes do grupo.
No dia 24, dois dias depois, ocorreu a primeira emboscada pelo grupo armado de invasores. Os alvos foram Honorato Babinski Filho, um dos donos, e os   seguranças da fazenda. Houve revide e o segurança Raimundo Oliveira de Souza, da empresa Elmo, foi baleado no peito. Ele escapou da morte, sofrendo ferimento sem maior gravidade, porque foi salvo pelo colete. 

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